Camélias em São Carlos

Camélias em São Carlos

Sarah Bernhardt, Alphonse Mucha, La Dame aux CameliasA ópera La traviata de Verdi musica um libreto de Francesco Maria Piave baseado na novela La Dame aux Camélias de Alexandre Dumas, Filho, publicada em 1848; ou melhor, na adaptação para teatro – efetuada pelo próprio Dumas, Filho – da mesma obra, que manteve o título A Dama das Camélias e que estreou em Paris em 1852. Um ano antes da ópera verdiana.

Quanto às intérpretes da Violetta Valéry em São Carlos já neste blogue e em muitos outros textos se falou, mas importa sublinhar, porque menos recordada, a fantástica série de intérpretes do papel de Marguerite Gauthier, da peça “original”, que se apresentou em São Carlos.

Assim, e sem mais palavras, em 1872, vinte anos depois da estreia da peça em Paris, apresentou-se em Maio e Junho em São Carlos a Companhia (italiana) de Achille Majeroni com, entre outros títulos, La Signora delle Camelie. Achille Majeroni era o Armand (o Alfredo da ópera) e Elvira Pasquali era Marguerite Gautier. Em Junho do ano seguinte Elvira Pasquali apresentou-se de novo como Marguerite, mas desta vez integrada na Companhia Elvira Pasquali.

Em Novembro de 1895 surgiu como intérprete de Marguerite um dos mais gloriosos nomes do teatro do século XIX e de todos os tempos: Sarah Bernhardt, que veio integrada na sua própria companhia. Armand era o ator Deuenbourg.

Em Maio de 1905 foi a vez de outra comanhia italiana, a da conhecida atriz Italia Vitaliani (1866-1938), representar La Signora delle Camelie em duas noites.

Em 1923 surgiu por fim uma presença portuguesa no papel de Marguerite. Nesse ano apresentou-se em São Carlos a Companhia de Palmira Bastos e é claro que foi Palmira Bastos a estrela. Samwel Dinis era Armand e Henrique de Albuquerque o pai deste, Jorge.

Dois anos depois de Palmira Bastos apresentou-se em Junho a Companhia de Mimi Aguglia (1884 –1970) com La Signora delle Camelie. Esta Mimi, filha da atriz Giuseppina Aguglia, nasceu num palco em Catania, durante uma representação do Otello! Estas representações de 1925 parecem ter sido as últimas em que Marguerite Gautier subiu ao palco de São Carlos. Depois, só a versão operática da história de Dumas teria outras ressurreições no nosso teatro. Anuncia-se outra para breve.

 

 

 

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