Viva o Teatro! Viva Shakespeare! Viva Kaschmann!

Giuseppe Kaschmann — ou Joseph Kaschmann, ou Josip Kašman (1850–1925) — foi um dos mais famosos barítonos em atuação na Europa e nas Américas na transição entre os séculos XIX e XX.

Nasceu em Mali Losinj (território da atual Croácia) filho de pai austríaco e mãe croata e começou por estudar em Zagreb, onde ocorreu o seu debute operático em 1869. A sua estreia em Itália deu-se em Turim, como Alfonso em La favorita de Donizetti, a que se seguiram apresentações em Roma, Veneza, Bolonha, Trieste. Era já considerado um dos melhores barítonos italianos do seu tempo quando se estreou no Scala de Milão em 1878 no Don Carlo de Verdi. Foi nesta fase da carreira que mudou o nome de Joseph Kaschmann para Giuseppe Kaschmann e foi assim que se apresentou no Teatro de São Carlos em dezenas de récitas espalhadas por várias temporadas: 1881-82; 92-93; 93-94; 94-95; 01-02; 04-05; 05-06. A sua primeira prestação referenciada no nosso teatro dá-se a 1 de outubro de 1881 como Amonasro na Aida de Verdi. Nessa temporada canta essencialmente Verdi (Il Trovatore, Un ballo in maschera, Ernani), mas também Meyerbeer (L’Africaine), Ambroise Thomas (Amletto) e Donizetti (Lucia di Lammermoor).

Os dois últimos decénios do século XIX foram os da maior glória de Kaschmann, com apresentações em Bayreuth, no Met de Nova-Iorque, na Espanha, na Rússia, no Scala, no Egipto, na Argentina, no Brasil, no Mónaco.

As óperas de Verdi e de Wagner foram os seus cavalos de batalha e as suas visitas a São Carlos provam-no. Na sua última temporada lisboeta — a de 1905-06 — para além de I pagliaci sob a direção de Leoncavallo, canta La Gioconda de Ponchielli, L’Amico Fritz de Mascagni e, de Wagner, o Hans Sachs de Os Mestres Cantores de Nuremberga e o Wolfram de Tannhäuser. Despediu-se de São Carlos com repertório religioso de Perosi, também dirigido pelo próprio compositor.

No final da sua carreira Giuseppe Kaschmann cultivou o repertório buffo de Donizetti, Rossini e outros, cantando-o nas primeiras duas décadas no novo século XX. Despediu-se dos palcos de ópera em Roma, com Le astuzie femminili de Cimarosa em 1921. A sua voz — ou melhor, uma pálida sombra do que ela seria — foi preservada numa série de gravações captadas em Milão no ano de 1903. Tornou-se um renomado professor — um dos seus mais famosos pupilos foi o baixo Salvatore Baccaloni. Giuseppe Kaschmann morreu em Roma com a idade de 74 anos.

Neste dia mundial do teatro será bonito ver uma homenagem que o grande barítono deixou a um seu admirador (ou admiradora) português numa das suas deslocações a Lisboa. Trata-se de um histórico documento que reúne foto, autógrafo e — escrito pela mão de Kaschmann! — um poema intitulado A Shakespeare.

Em São Carlos, os cantores até em poetas se transformam! Fiquemos a ver, em comunhão com Kaschmann: Viva o Teatro! Viva Shakespeare!

Kashmann

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