José Gomes Ferreira — E ópera é…

José Gomes Ferreira — E ópera é…

– Não percebo como V. gosta de ópera!… Uma forma de arte ultrapassada! – espantava-se, há tempos, um amigo.

Respondi-lhe que para mim continuava actual. Considerava-a o verdadeiro teatro fantástico. E quanto menos compreendia o que se passava no palco, melhor.

(Risos. Lá está o tipo com uma das suas costumadas brincadeiras paradoxais!)

Pois sim. Riam-se. O que não me impede de repetir que, para gozar em pleno, uma ópera, basta-me o canto, a orquestra, os gritos, os coros, as paixões expressas pelos gestos e pelos olhos (Agora, estão a amar-se! Agora a odiar-se!) as danças, os tules, as mulheres recostadas nas luzes, os voos, as cores, os cenários – em resumo: o sonho servido com música…

Repito: o verdadeiro teatro é este. Tudo o mais não passa de sórdido naturalismo com uma intriga parva por fora!

9 de Agosto de 1968

 

José Gomes Ferreira: Música … minha antiga companheira desde os ouvidos da infância