O P.C.V. (PARTIDO COMUNISTA VOCÁLICO)

O Teatro de São Carlos acolheu, em numerosíssimos espectáculos, as três maiores representantes italianas da corda de meio-soprano da segunda metade do século XX: Ebe Stignani, Giulietta Simionato e Fiorenza Cossotto. Simionatto, depois das dezenas de récitas aqui cantadas, esteve no nosso teatro em 2008, aquando da grande exposição dedicada a Maria Callas, comissariada por Fernando Carvalho, que esteve patente no Museu da Eletricidade. Uma mostra em que se procurava assinalar o meio-século passado sobre a célebre La Traviata de Lisboa (e quando se julgava que o público já não ligava a estas coisas, a exposição teve mais de 100.000 visitantes!). Giulietta Simionato foi uma das grandes colegas de Callas em dezenas de récitas nos mais importantes teatros de ópera do mundo; a sua presença foi, por isso, mais do que justificada em Lisboa.

Eu tinha falado com Simionatto poucos anos antes e não posso deixar de compartilhar o que ela, então já cantora consagrada pela História, disse acerca do canto nos finais do seculo XX:

Hoje todas as vozes são muito pequenas e muito levezinhas. Eu chamo a isso comunismo vocal, porque são todas iguais e nenhuma sobressai. As vozes importantes que havia no meu tempo já não existem. Há por vezes uma, raramente, mas está tão mal ensinada, mal acompanhada e mal guiada que é uma pena, pois provavelmente vai acabar arruinada de tal maneira que não poderá sequer subir a um palco para cantar uma ópera. É assim!

 

Giulietta Simionatto
Giulietta Simionato, no palco do Teatro Nacional de São Carlos

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