Um Alfredo luso

Um Alfredo luso

A ópera La traviata de Verdi subirá de novo ao palco do Teatro Nacional de São Carlos nos próximos dias 9, 11, 14, 16 e 18 de junho, o que, acreditando-se que a thing of beauty is a joy forever, é sempre uma felicidade. Esta é redobrada quando no principal papel de tenor podemos ver e ouvir um tenor português. Luís Gomes, de facto, vai ser o intérprete de Alfredo Germont na récita anunciada para dia 16 de junho. O repertório com o qual este cantor se tem apresentado em vários palcos é o de tenor lírico: Rodolfo em La Boheme; Edmondo em Manon Lescaut; Tebaldo em I Capuleti e I Montecchi; Nemorino em Elisir d’amore; Don Ottavio em Don Giovanni; Pinkerton em Madama Butterfly; Snout em A Midsummer Night’s Dream; Jenik em A Noiva Vendida; etc. Lisboa viu-o e ouviu-o em evidência recentemente como Rinuccio no Gianni Schicchi  de Puccini cantado no Centro Cultural de Belém.

Esta conversa foi conseguida a meio de um ensaio de cena, pouco antes de o tenor ir descansar para apanhar o avião no dia seguinte muito cedo para ir cantar não sei onde e para regressar depois … enfim, vida de cantor de ópera internacional! Perguntei-lhe o que sente um português tão jovem quando é convidado para cantar o Alfredo numa Traviata em São Carlos?

 

Luís Gomes já cantou em Covent Garden (fazendo parte do projeto “Jette Parker Young Artist”) inúmeros papeis, sob a direção de maestros como Antonio Pappano ou Simon Rattle. Em junho de 2015, no entanto, obteve, na sua estreia oficial no prestigiado teatro, um enormíssimo sucesso como Fenton no Falstaff verdiano. Foi então descrito pela crítica londrina como “futura estrela”, “destinado a um futuro brilhante”. Ora, a crer em Macbeth, as bruxas de além Mancha costumam acertar. Facto é que quando há pouco tempo estive naquele teatro para assistir a uma récita de Macbeth (daí as bruxas de há pouco!) ao dizer ocasionalmente, ao intervalo, que sou português, logo me falaram do grande êxito de Luís Gomes. Quem é que não gosta de ouvir? Pedi ao cantor, portanto, que nos falasse desse êxito londrino.

 

Luís Gomes, a par da sua carreira lírica, tem desenvolvido uma importante actividade concertística em palcos importantes: Wigmore Hall e Barbican Hall (Londres), DeDoelen (Rotterdam), Concertgebouw (Amsterdão), Santa Cecilia (Roma), Grande Auditório Gulbenkian (Lisboa). Mas agora vem cantar ópera a São Carlos – o Alfredo em La traviata de Verdi. Perguntei-lhe se, para além deste e do Fenton já referido, há outros personagens para ele no universo verdiano?

 

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