Um Requiem por Freddie Mercury

Um Requiem por Freddie Mercury

A Orquestra e o Coro Gulbenkian interpretaram nos primeiros dias de novembro na Fundação Calouste Gulbenkian a Messa da Requiem de Giuseppe Verdi. O concerto foi dirigido por Michel Corboz. Sublinhe-se que em fevereiro de 1976 o Coro Gulbenkian interpretou a mesma esmagadora obra em São Carlos numa luxuosa edição que reunia Raina Kabaivanska e Fiorenza Cossotto como solistas femininas.

Tendo eu assistido ao recente concerto, permanecendo tão acesa em mim a memória de Montserrat Caballé, estando-se em inícios de novembro, a minha memória, nas suas misteriosas maquinações, transportou-me até um Requiem de Verdi que cantei em 25 de novembro de 1991 no Cinema Império integrado no Coro do TNSC.

Recordo que estavam anunciadas duas estrelas de enorme grandeza (Anna Tomowa-Sintov e Brigitte Fassbaender) que adoeceram, tendo sido substituídas por Monica Peck-Hieronimi e Eugenie Grunewald, respetivamente. Mas o que recordo melhor é a saída do Império depois do espetáculo, com colegas do coro: eu; a Maria do Anjo; o Luís Castanheira; o Pedro Chaves. Presente também o João Teodoro, rapaz que jogara nos juniores do Benfica que gostava muito de música e quis ir ouvir-nos.

Recordo, sim, muitíssimo bem, que depois desse concerto, quando chegámos ao carro do Luís Castanheira (onde nos apertámos), todos falávamos de Freddie Mercury, falecido no dia anterior. Todos recordámos o seu “Barcelona” com Caballé, todos gritámos uma admiração sem limites pela sua vocalidade e entrega – até aquela lindíssima linha melódica “Mamma, just killed a man …” (do álbum de 1975 A Night at the Opera!!!) entoámos.

Alguns de nós foram dali para o Bairro Alto dedicar o Requiem de Verdi há pouco cantado a Freddie Mercury. Eu era desses “alguns”.

Freddie Mercury

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